Morte nos Comandos. Sete militares detidos interrogados em Tomar

NUNO VEIGA  LUSA

NUNO VEIGA LUSA

Sete militares dos Comandos foram detidos esta quinta-feira, no âmbito da investigação à morte de dois instruendos no curso realizado em setembro.

Na nota, a PGR, indicou que para além dos sete visados pelos mandados de detenção, o processo tem dois outros arguidos constituídos, também estes militares. Os detidos já estão no presídio militar de Tomar, o único para militares no país, e serão presentes a tribunal, sexta-feira, no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

Em declarações à TSF, o Exército confirmou que está a colaborar com a investigação e que recebeu um pedido de detenção dos militares.

No mesmo documento, Cândida Vilar refere que, face aos indícios da prática dos crimes de abuso da autoridade por ofensa à integridade física, "à personalidade dos suspeitos movidos por ódio patológico, irracional contra os instruendos, que consideram inferiores por ainda não fazerem parte do grupo de Comandos", o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa entende que há "perigos de continuação da atividade criminosa e de perturbação do inquérito". O caso desencadeou investigações na Justiça - instauradas quer pelo chefe do Estado-Maior do Exército, quer pela Procuradoria-Geral da República - e levou à suspensão dos cursos de Comandos do Exército.

A 4 de Setembro, dois militares morreram na sequência do treino do 127.º Curso de Comandos na região de Alcochete, no distrito de Setúbal e vários outros receberam assistência hospitalar.

Hugo Abreu foi o primeiro instruendo a morrer na sequência da instrução no Campo de Tiro de Alcochete. Azeredo Lopes adiantou em declarações à RTP, que foi aberto um terceiro inquérito "técnico especial sobre a forma como é dada a formação e treinos aos comandos".