Refugiados yazidi acolhidos em Portugal

Comunidade yazidi é perseguida pelo Estado Islâmico | REUTERS  ARI JALAL

Comunidade yazidi é perseguida pelo Estado Islâmico | REUTERS ARI JALAL

Atenas garante que não fez referência específica a Portugal, na sequência de uma notícia divulgada pela agência Associated Press de que as autoridades gregas teriam rejeitado o pedido de Portugal para acolher refugiados da comunidade yazidi.

"Portugal acolhe todos os refugiados, independentemente de etnia, de raça, de cor, de qualificação, de género ou de orientação" e já recebeu "mais de 700 refugiados", não praticando nem pedindo para praticar "nenhuma espécie de discriminação, restrição ou diferenciação", acrescentou.

Pedido que a Grécia terá rejeitado, segundo a notícia, por considerar o pedido discriminatório.

"Não confirmo que haja qualquer declaração das autoridades gregas no sentido de impedir, de qualquer forma, a vinda de cerca de 38 yazidis de que estamos à espera nos próximos tempos", assegurou o chefe da diplomacia.

"A prova é que Portugal tem recebido refugiados de qualquer etnia, religião ou proveniência, muitos deles vindos da Grécia", sustentou.

Depois de o ministro das migrações, Ioannis Mouzalas, ter dito à AP que "um Governo não pode discriminar tendo em conta a raça", o gabinete deste membro do Governo grego sublinhou, em resposta oficial à Renascença, que "a declaração foi generalista e não fez referência a qualquer país em específico". O ministro explicou ainda que até março deverão chegar mais cem pessoas, pertencentes à mesma comunidade.

Inquirido sobre se o motivo da reação grega teria sido o pedido da eurodeputada Ana Gomes para que as autoridades gregas tivessem especial atenção na resolução do problema desta comunidade, o MNE referiu que "várias personalidades e várias organizações - entre as quais a eurodeputada portuguesa Ana Gomes, que tem esse mérito - têm chamado a atenção para casos particularmente gritantes de pessoas que estão hoje em circunstâncias muito difíceis". Entre eles, encontram-se cerca de 2.500 da comunidade yazidi.

Ao abrigo do mecanismo de recolocação, no âmbito do acordo entre a União Europeia e a Turquia, Portugal também já recebeu "dezenas de refugiados recolocados".

Após notícias sobre um alegado pedido de Portugal para acolher yazidis, a porta-voz da Comissão Europeia, Natasha Bertaud, reagiu. Ou seja, "não pode dizer se prefere mulheres, cristãos ou muçulmanos", frisou. "São pessoas elegíveis e que precisam de protecção e não se pode escolher entre elas", recordou Natasha Bertaud.

Catarina Marcelino adiantou que esteve na Grécia com a CNIS para estudar opções específicas de acolhimento para os menores não acompanhados, tendo verificado que a maior parte deles são de origem iraquiana e afegã e, por isso, fora do âmbito do programa de recolocação, com idades a partir dos 14, 15 anos.