300 alunos da Alexandre Herculano transferidos para outra escola

LUCÍLIA MONTEIRO

LUCÍLIA MONTEIRO

Ao início da tarde de sexta-feira o diretor do agrupamento, Manuel Lima, disse também que a escola iria reabrir para parte dos alunos, sendo que os estudantes do 7.º e 8.º anos seriam deslocados para a Escola Ramalho Ortigão.

A falta de condições na Escola Secundária Alexandre Herculano - projetada pelo arquiteto Marques da Silva (1869 -1947), autor da estação ferroviária de São Bento e da Casa de Serralves, e classificada como imóvel de interesse público - tem motivado intervenções de várias entidades e partidos políticos, nomeadamente ao longo do último ano.

Num comunicado emitido esta quinta-feira, horas depois da decisão do diretor de encerrar a escola por chover dentro de várias salas de aula, a Câmara do Porto esclareceu que "quaisquer obras" naquele estabelecimento de ensino "são da exclusiva responsabilidade do Estado central e não da autarquia", apesar de esta se ter disponibilizado para cofinanciar a intervenção.

Segundo o director da Escola, o Ministério da Educação comprometeu-se a fazer obras na escola até 2020, no valor de seis milhões de euros.

Questionados sobre se acreditam que as obras se irão realizar, ambos responsabilizaram o Governo pelos compromissos assumidos esta manhã. O que tivemos pela primeira vez foi a manifestação por alguém que representa a tutela e apresentação de um mapeamento onde a escola Alexandre Herculano está inscrita. "Foi-nos dito que estão asseguradas as obras no edifício". O senhor delegado da DGEstE foi taxativo.

"Dada a gravidade da situação de degradação e a importância histórica do edifício do Liceu Alexandre Herculano, a Câmara do Porto manifestou, há meses, junto do Ministério da Educação, preocupação e a disponibilidade para custear 50% da comparticipação nacional da obra necessária", acrescentava.

A Escola Secundária Alexandre Herculano foi encerrada na quinta-feira pelo respetivo diretor por "chover em várias salas", tendo então Manuel Lima assegurado que os alunos só regressariam quando existissem garantias de que podem circular "sem qualquer possibilidade de lhes cair um bocado de teto em cima".

O estado a que chegou a Alexandre Herculano, gerou esta sexta-feira um debate na Assembleia da República, com o grupo parlamentar do PSD a acusar o primeiro-ministro de "mentir", assegurando que o anterior Governo "garantiu as condições para a realização da obra, através de fundos comunitários".

De acordo com o responsável, "as obras sempre foram prometidas, o que nunca houve foi uma resposta inequívoca e uma justificação devidamente fundamentada sobre o seu adiamento 'sine die', que é o que acontece hoje". "É esta a solução", disse Fernando Barbosa, encarregado de educação.

O orçamento para a secundária era de 15,8 milhões de euros. Revelou que estão já agendadas algumas "reuniões técnicas para se mobilizar" a verba disponível e antecipa que o Ministério "vai ter uma óptima colaboração com a Câmara Municipal do Porto".

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