Bruxelas: Défice fica nos 2,3%, mas graças a medidas extraordinárias

Bruxelas reviu em alta a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) português em 2016, de 0,9% em Novembro, para 1,3%, devido a um "forte desempenho na segunda metade do ano, particularmente no turismo" e no consumo privado, apesar da contracção no investimento.

Em destaque, segundo os técnicos da Comissão Europeia, esteve, no ano passado, o sector exportador, "ajudado pelo desempenho muito forte do turismo", isto "apesar do aumento estimado dos custos do trabalho". "O défice nominal deverá diminuir para 2% do PIB em 2017, principalmente devido a uma operação extraordinária (a recuperação da garantia do BPP vale 0,25% do PIB), a uma contínua recuperação económica moderada, e à politica monetária". Segundo a Lusa, para que Portugal saia do Procedimento por Défices Excessivos, é preciso que o défice orçamental se tenha fixado abaixo dos 2,5% em 2016, mas que para 2017 e 2018 este faça prever uma trajectória abaixo dos 3%. Para 2018, melhora ligeiramente a previsão, de 9,5% para 9,4%.

Mesmo assim, as exigências de Bruxelas estão em parte cumpridas, já que, nas últimas semanas, o primeiro-ministro, António Costa, e o seu ministro das Finanças, Mário Centeno, afirmaram que o défice de 20i6 ficaria "certamente" abaixo de 2,3%, quando a Comissão tinha imposto, na pior das hipóteses 2,5%.

As previsões económicas de Inverno reveladas pela Comissão Europeia indicam que a arrecadação de receita foi inferior ao que estava orçamentado em 2016, mas o valor foi "parcialmente compensado por receitas adicionais, que valeram 0,25% do PIB". Em relação a 2018, a CE estima uma ligeira desaceleração do ritmo de crescimento, para 1,5%.

Segundo as previsões de inverno, hoje divulgadas, o crescimento da economia alemã deve acelerar este ano, prevendo-se ainda uma progressão de 1,8% do PIB para 2018, considerando Bruxelas que tal se deve "a um emprego e consumo robustos".

Quanto à União Europeia como um todo, a expetativa é de crescimentos de 1,8% este ano e no próximo.

Em relação ao crescimento da economia, a Comissão também está agora mais optimista, apontando para uma variação do PIB de 1,3% em 2016 e de 1,6% este ano.

As previsões económicas da Comissão Europeia confirmam que o défice em Portugal no ano passado foi de 2,3%.

Bruxelas avisa que a redução do défice se fez, sobretudo, graças a medidas extraordinárias e à redução de investimento público e que sem estas medidas o défice do passado teria ficado em 2,6%.