Demissão do conselheiro de segurança é "assunto interno" dos EUA — Kremlin

Trump mantém confiança em Flynn que já pediu desculpas ao vice-presidente

Trump mantém confiança em Flynn que já pediu desculpas ao vice-presidente

Michael Flynn, conselheiro de Segurança Nacional, é suspeito de ter discutido com o embaixador russo em Washington as sanções em vigor contra Moscou antes da posse do presidente. O anúncio foi feito pela Casa Branca na segunda-feira à noite, madrugada desta terça-feira em Portugal, depois de os media terem noticiado que Flynn discutiu as sanções impostas pelos Estados Unidos ao embaixador russo em Washington antes de Trump ter tomado posse e que enganou os membros da administração sobre o conteúdo dessa conversa.

Foi nessa altura que Michael Flynn terá tido uma reunião privada com Sergey Kislyak e discutido o levantamento das sanções, que tinham então sido anunciadas por Obama.

A revelação obrigou o general a admitir que, ao contrário do que sempre dissera, não podia garantir com "100% de certeza" que o tema não tivesse sido mencionado nas conversas com Kisliak.

O vice-presidente Mike Pence, aparentemente baseado em informações prestadas por Flynn, defendeu o conselheiro publicamente.


"É uma questão interna dos Estados Unidos, é uma questão interna da Administração do Presidente Trump". "Já dissémos tudo o que queremos dizer", declarou esta terça-feira o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

As conversas privadas com o diplomata russo aconteceram quando o governo de Barack Obama preparava um novo pacote de sanções contra Moscou, em represália pela suposta interferência na campanha presidencial para favorecer Trump.

Nesta segunda-feira, Kellyanne Conway, a influente conselheira de Trump e sua ex-chefe de campanha eleitoral, disse em uma entrevista que Flynn tem "toda a confiança" do presidente.

Flynn admitiu em janeiro ter falado com o embaixador russo Sergei Kislyak, mas sempre garantiu que não abordaram qualquer questão específica das relações bilaterais.


O tenente general do exército, na reserva, Keith Kellogg, assume interinamente o cargo até Donald Trump nomear um novo assessor da Casa Branca para a segurança nacional.

Durante a Guerra do Iraque, ele ajudou a comandar a coalizão que governou o país em 2003 e 2004, antes de trabalhar para uma empresa de defesa com contratos com o governo americano, segundo a agência de informações financeiras Bloomberg.

"Demitir o conselheiro de segurança nacional por ter contato com o embaixador russso, um relação diplomática de praxe, não é nem paranoia, é algo imensuravelmente pior", disse o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado russo, Konstantin Kosaciov. A BBC avança que o ex-diretor da CIA, o general na reforma David Petraeus, e Robert Harward, ex-vice do Comando Central dos EUA, estão ambos a ser considerados para o lugar de Flynn.


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