Com retração na renda, vendas no comércio têm maior queda em 2016

Com retração na renda, vendas no comércio têm maior queda em 2016

Com retração na renda, vendas no comércio têm maior queda em 2016

Com o recuo de 2% no volume de vendas de novembro para dezembro do ano passado, o comércio varejista do país fechou 2016 com queda acumulada de 6,2%. Esta foi a maior queda anual do indicador desde o início da série histórica, iniciada em 2001.

Em São Paulo, o varejo restrito recuou 4,8%.

No segmento de móveis e eletrodomésticos, houve uma queda de 12,6% - resultado menos acentuado que o registrado no fechamento de 2015 (quando houve queda de 14,1%), contribuindo com o segundo maior impacto negativo na taxa anual do comércio varejista.

Na comparação entre dezembro de 2016 com o mesmo mês do ano anterior, as vendas caíram em 25 dos 27 estados, com destaque para Pará (-12,6%), seguido por Mato Grosso (-12,4%) e Rondônia (-12,0%). Em termos de volume de vendas, destacaram-se Rondônia (-15,5%), Pará (-12,6%), Amapá (-11,0%) e Espírito Santo (-11,9%).

Segundo o IBGE, "a perda da renda real e o aumento de preços dos alimentos em domicílio, no mesmo período, foram os principais responsáveis pelo desempenho negativo do setor".

"Com uma dinâmica de vendas associada à disponibilidade de crédito e a evolução dos rendimentos, o resultado do setor, abaixo da média geral, foi influenciado principalmente pela elevação da taxa de juros nas operações de crédito às pessoas físicas e pela queda da massa real de rendimentos", analisa o instituto.

Os segmentos que registraram as maiores perdas nas vendas no ano foram os de Livros, jornais, revistas e papelaria, com -16,1%; Veículos e motos (-14%); Eletrodomésticos (-12,8%) e Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-12,3%). Já em relação a dezembro de 2015, a baixa foi de 4,9%. Segundo a pesquisa, trata-se da queda "mais acentuada da sua série histórica".

A variação da receita nominal do comércio varejista também fechou dezembro com queda de 2,1%, embora tenha fechado positivo tanto no resultado acumulado do ano (4,5%), como na comparação com dezembro do ano passado, que foi de 2%. Já as casas de material de construção tiveram um recuo de 10,7% nos negócios.

"O consumo e o comércio foram impactados ao longo de 2016 por fatores que inibem o consumo, como pressão inflacionária, aumento dos juros e enfraquecimento do mercado de trabalho ao longo do ano", completou Isabella.

O IBGE apontou como fatores para recuo no volume de vendas a diminuição do ritmo de financiamento, a elevação da taxa de juros e a restrição orçamentária das famílias. No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, o índice de média móvel trimestral das vendas teve ligeira queda de 0,1% em dezembro.