Vice-presidente venezuelano classifica sanção dos EUA de agressão infame

EUA aplicam sanções ao vice-presidente da Venezuela- VTV  AFP

EUA aplicam sanções ao vice-presidente da Venezuela- VTV AFP

As sanções são o "culminar de vários anos de investigação sobre os principais traficantes de droga para os Estados Unidos e demonstram que a influência e o poder não protegem aqueles que se envolvem em actividades ilegais", refere o comunicado do Departamento do Tesouro.

Lopez Bello, de acordo com versões apresentadas à imprensa pelo sócio de El Aissami, foi incluído nas sanções, que proíbem qualquer cidadão americano ou empresa de fazer negócios com qualquer um dos listados e 13 empresas.

Aissami considera a acusação um ataque ao governo de Maduro, cuja popularidade está abalada por uma grave crise, com escassez de alimentos e medicamentos e uma inflação projetada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em 1.660% para 2017. "Nossa principal tarefa é acompanhar Nicolás Maduro na recuperação econômica", afirmou, para não deixar dúvidas, mais uma vez, de sua "lealdade" ao presidente, que enfrenta uma forte rejeição popular. Com El Aissami já são nove figuras governistas venezuelanas, entre altos funcionários, governadores, congressistas e militares da reserva, os alvos de sanções dos EUA nos últimos nove anos por suposto vínculo com o narcotráfico.

Até agora, Maduro havia voltado suas baterias contra Barack Obama, cujo governo declarou a Venezuela uma ameaça para a segurança dos EUA e decretou sanções contra sete funcionários venezuelanos, os quais são impedidos de voltar àquele país. A partir daí tem conquistado cada vez mais poder e funções dentro do governo. No entanto, Maduro decidiu entrar em compasso de espera.

O secretário-executivo da opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), Jesús Torrealba, advertiu que o caso El Aissami "poderia comprometer as relações" com "o único país que paga cash (em dinheiro) à Venezuela pelo petróleo".

Cliver Alcalá - militar aposentado que participou do frustrado golpe de Estado liderado por Chávez em 1992, mas que se tornou um crítico de Maduro - alertou sobre a linha dura do vice-presidente, com "abusos e perseguição por pensar diferente". No fim do mês passado, Maduro delegou ao vice várias de suas atribuições para agilizar o manejo de órgãos públicos e os orçamentos dos ministérios. O deputado governista Pedro Carreño declarou à AFP que os Estados Unidos buscam, com a acusação contra El Aissami, "uma vez mais satanizar, estigmatizar e criminalizar a revolução".