Dinheiro de Cunha na Suíça serviu de alerta para Dilma — Mônica Moura

Epitacio Pessoa  Estadão Conteúdo

Epitacio Pessoa Estadão Conteúdo

A ex-presidente brasileira Dilma Rousseff, quando ainda estava no cargo, usava informações privilegiadas que recebia para avisar suspeitos dos avanços da operação anti-corrupção Lava Jato. Isso seria presumir que a Polícia Federal, o Ministério Público ou o próprio Judiciário, por serem os detentores e guardiões dessas informações, teriam descumprido seus deveres legais.

O encontro foi um "chamado urgente" da presidente, segundo o marido de Mônica Moura, o marqueteiro João Santana. "Nestas oportunidades, tanto Lula como Dilma se comprometeram a resolver o impasse e, de fato, os pagamentos voltavam a ocorrer". Dilma Rousseff jamais conversou com João Santana ou Monica Moura a respeito de caixa dois ou pagamentos no exterior.

De acordo com a empresária, Dilma não queria mais ninguém do PT cuidando da campanha dela porque a petista já se considerava fortalecida por ser presidente e buscar a reeleição. Em nota, a assessoria de Dilma também afirmou que "João Santana e Mônica Moura prestaram falso testemunho".

Ele diz também que sua mulher Mônica Moura teve diálogos semelhantes com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, que também se queixava de Graça Foster. O juiz Sergio Moro condenou-os em fevereiro a 8 anos e 4 meses de prisão mas, dado o acordo de delação premiada, cumprirão 1 ano e 6 meses em regime domiciliar, além de pagarem multa de 80 milhões de reais.

- As campanhas no Brasil são fortemente financiadas dessa forma: caixa 2.

O marqueteiro disse que, numa ocasião, em setembro de 2014, às vésperas do primeiro turno eleitoral, Dilma perguntou se os depósitos feitos no exterior pela Odebrecht se deram de forma segura. O casal decidiu ignorar o pedido de Dilma, regressou ao Brasil, entregou-se e fez acordo de colaboração, contando o que sabia sobre corrupção em troca de redução de pena. E que Santana foi convidado a ir a uma sauna com Delcídio do Amaral, senador do PT que também passou pela prisão no âmbito da Lava-Jato, para discutir reservadamente os valores não declarados de uma campanha sua ao Senado.

Quando finalmente João Santana aceitou cuidar do marketing de Gleisi, Mônica Moura "teve vários encontros" com Paulo Bernardo para negociar o valor e a forma de pagamento. A chapa Dilma-Temer é acusada de abuso de poder político e econômico no pleito. E provas contra Lula não há, porque ele sempre atuou dentro da lei.

Segundo Mônica, naquele ano a relação entre Lula e Dilma teve "um estremecimento". "E aí, os alemães têm lhe tratado bem?" "Ela queria a reeleição dela", disse.

A nota também classifica como "fantasiosa" a informação de que a então presidente alertava o casal de marqueteiros sobre o andamento das investigações da Lava Jato. Uma das preocupações manifestadas por Dilma, acrescenta a publicitária, era com uma conta secreta que Mónica e o marido tinham na Suíça e onde movimentavam milhões oriundos de corrupção. Segundo o Ministério Público, a conta detém cerca de US$ 21,6 milhões, ou cerca de R$ 68 milhões ao câmbio de ontem.