China quer aumentar cooperação com Cazaquistão visando Novas Rotas da Seda

Projeto engloba área onde vivem 60% da população mundial

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Em seu discurso de abertura do Fórum do Cinturão e da Rota para a Cooperação Internacional (Belt and Road Forum for International Cooperation), Jinping afirmou que a iniciativa proposta pela China de promover investimentos em infraestrutura em países da Ásia, Europa e África que integram o trajeto da Rota da Seda, é um "projeto do século" que vai beneficiar as pessoas em todo o mundo. Diplomatas dizem que Pequim usa geralmente essas frases para exigir que outros países respeitem as demandas da China.

"A globalização enfrenta ventos contrários", disse o líder do regime comunista no segundo dia de um encontro no qual participam cerca de 30 dirigentes mundiais, entre eles os presidentes russo e turco, Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan.

O nome da iniciativa remete à milenar Rota da Seda, que conectava o Ocidente ao Oriente, e o projeto estimado em US$ 900 bilhões promete reeditar a antiga rota comercial e também criar a Rota da Seda Marítima do século XXI. Evidenciando as clássicas preocupações com questões de direitos humanos e ambientais, mas também por dúvidas sobre o ensejo de exportação do modelo de desenvolvimento chinês, assinala a Reuters, também os Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Alemanha decidiram não enviar representantes de topo.

Alguns países mostram dúvidas sobre as intenções chinesas, vendo a iniciativa como uma forma para companhias chinesas penetrarem em mercados estrangeiros e para o país promover sua força geopolítica.

"Temos que buscar resultados através de uma abertura e de uma cooperação mais importantes (.) e rejeitar o protecionismo", declarou o presidente chinês, cujo país é frequentemente alvo de críticas dos países ocidentais, que acusam o gigante asiático de favorecer suas empresas no mercado interior. O presidente americano, Donald Trump, tem acusado a China de conseguir vantagens injustas em acordos comerciais.

As posturas protecionistas em Washington e outras capitais dão à China uma chance de se apresentar como uma guardiã da globalização.

O anúncio foi ontem feito em Pequim por Xi Jinping no Fórum internacional que reúne na capital chinesa quase três dezenas de Chefes de Estado. "Nós precisamos também construir uma globalização econômica aberta, inclusiva e amplamente benéfica e equilibrada". Em seu discurso, Xi disse que a iniciativa está "aberta aos amigos da América Latina". Ao atualizar aquela mensagem, Xi disse que a China estabelecerá 50 laboratórios conjuntos e oferecerá viagens de pesquisa e treinamento para 5 mil cientistas, engenheiros e gerentes estrangeiros.

Dois bancos chineses estabelecerão esquemas de financiamento especial com valor total de US$ 55,1 bilhões para apoiar os projetos de cooperação do Cinturão e da Rota, segundo Xi.

Pan afirmou que vários grandes projetos de infraestruturas - desde portos a telecomunicações - estão a ser desenvolvidos ou foram já concluídos.