JBS distribuiu R$ 400 milhões em propinas, diz Jesley

Andres Stapff  Reuters                       A assessoria de Pimentel bem como a de Rousseff e a da JBS ainda não comentaram sobre o caso

Andres Stapff Reuters A assessoria de Pimentel bem como a de Rousseff e a da JBS ainda não comentaram sobre o caso

O empresário da JBS, Joesley Batista, acusou os ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff de serem os beneficiários de duas contas-correntes utilizadas para pagamentos de subornos, fora do Brasil.

Na época, o parlamentar era relator da CPI do CARF e teria atuado para evitar a convocação do ex-ministro Guido Mantega.

A declaração faz parte de um depoimento aos procuradores brasileiros que fazem parte da Operação Lava Jato, num acordo de colaboração do empresário com a Justiça, e que foi divulgado hoje. Joesley acrescentou que Lula e Dilma tinham conhecimento dos repasses.

Já em 2010, Guido pediu para que Joesley abrisse uma nova conta no exterior, conta essa que passaria a ser utilizada por Rousseff. A conta era vinculada a uma empresa de fachada sediada no Panamá.

Em nota, a defesa do ex-presidente Lula disse que os trechos da delação "vazados à imprensa" mostram que as afirmações de Joesley Batista em relação a ele "não decorrem de qualquer contato com o ex-presidente, mas sim de supostos diálogos com terceiros que sequer foram comprovados".

"Tem pagamento via oficial, caixa 1, via campanha, tem via caixa 2, tem dinheiro espécie". O delator disse que Mantega "interveio junto a Luciano Coutinho (então presidente do BNDES) para que o negócio saísse". O montante de doações legais a políticos, segundo ele estimou, é bem menor que o que foi o distribuído "por fora": R$ 100 milhões. "Esta aqui tem que abrir uma para a Dilma". Ao longo do tempo, no final, quando chegou em 2014, o dinheiro foi usado todo na campanha da Dilma.

Na fala aos procuradores, Joesley Batista relata que os crimes que serão narrados por ele e por outros executivos da JBS na delação premiada ocorreram "nos últimos 15 anos", mas que a maior parte dos pagamentos ilíticos a políticos foi feita nos últimos cinco anos.