Defesa de Temer recorre ao STF para evitar depoimento à Polícia Federal

Defesa de Temer quer inquérito separado para o presidente

Defesa de Temer quer inquérito separado para o presidente

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, afirmou em despacho dentro do inquérito contra o presidente Michel Temer que autorizou apenas a Polícia Federal a realizar perícia no áudio de um conversa do presidente com o empresário Joesley Batista, após a defesa de Temer reclamar da tentativa da PF de marcar um depoimento do presidente. A investigação contra os políticos foi pedida conjuntamente pela PGR (Procuradoria Geral da República).

"Conjugando o regime preconizado pelo Código de Processo Penal e pelo Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal tem o prazo de 10 dias, contados da realização da prisão, para finalizar as investigações e remeter o inquérito para o Ministério Público Federal, que, por sua vez, possui o prazo de 5 dias para oferecer denúncia ou requerer o arquivamento", disse Janot.

Na avaliação dos advogados, caso Temer tenha que prestar esclarecimentos sobre o encontro com Joesley Batista, o depoimento deve ser comandado por Fachin ou o presidente deve ter o direito de enviar as respostas por escrito. Além de ouvir os investigados, Janot falou que também é necessário analisar o material apreendido na Operação Patmos de busca e apreensão, no dia 18.

Em defesa ao uso da gravação de áudios por parte do delator, Janot compara ainda o caso de Temer com os diálogos interceptados entre a então presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em março de 2016, quando os dois petistas discutiam a nomeação de Lula para o cargo de ministro da Casa Civil. No caso do inquérito contra Temer, Aécio e o deputado Rocha Loures, não houve pedido.

"Mais uma vez o fato relevante não é negado, sendo, em realidade, objeto de confissão no sentido de que os interlocutores dialogaram sobre possível corrupção de agentes públicos", escreve Janot. Josélio é delegado de confiança do procurador-geral, Rodrigo Janot.

- Ajuda a Cunha: "No diálogo com Joesley Batista, o presidente Michel Temer diz que nada fez pelo ex-deputado Eduardo Cunha".