Mulher de Eduardo Cunha é absolvida por Sergio Moro

Cláudia Cruz e Eduardo Cunha

Cláudia Cruz e Eduardo Cunha

O juiz federal Sergio Moro absolveu a mulher do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), a jornalista Cláudia Cruz, dos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. "Não é, porém, o suficiente para condená-la por lavagem de dinheiro", disse o juiz.

Esse valor foi depositado em contas na Suíça - alvo de outro processo, em que apenas Eduardo Cunha era réu.

A ação, batizada de Poço Seco, investiga complexas operações financeiras realizadas a partir da aquisição pela Petrobras de direitos de exploração de petróleo em Benin, com o objetivo de disponibilizar recursos para o pagamento de vantagens indevidas a um ex-gerente da área de negócios internacionais da empresa.

Moro destacou que "não há nada de errado nos gastos em si mesmos mas são eles extravagantes e inconsistentes para ela e para sua família, considerando que o marido era agente público". "Com isso, fez-se Justiça", afirmou o criminalista Pierpaolo Bottini, defensor da jornalista.

Na sentença, o juiz Sérgio Moro ainda absolveu Idalécio de Castro Rodrigues e João Augusto Rezende Henriques.

Cláudia Cruz foi acusada de ter se beneficiado de propina recebida pelo marido.

A força-tarefa da Operação Lava Jato afirma que Cláudia usou a conta para manter alto padrão de vida na Europa, onde frequentava os endereços mais chiques do mundo, lojas de grife, hotéis de alto padrão e restaurantes requintados.

"Apesar da absolvição de Cláudia Cordeiro Cruz por falta de prova suficiente do dolo, os valores mantidos na conta em nome da Kopek são oriundas de contas controladas por Eduardo Cosentino da Cunha, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, tendo, portanto, origem e natureza criminosa", escreveu o magistrado da 13ª Vara Federal.

A tese da defesa da jornalista é de que a ré desconhecia a origem dos recursos das contas vinculadas aos seus cartões de crédito.

A denúncia foi aceita por Moro em junho do ano passado. De acordo com os investigadores, há indícios de que parte da propina desviada da Petrobras abasteceu contas no exterior em nome de off-shores e trusts usados para pagar cartões de crédito internacional utilizados por Cláudia Cruz. Gasto, de acordo com a denúncia do MPF, "totalmente incompatível com os salários e o patrimônio lícito" dela e de Cunha.

Já João Augusto Henriques, responsável por operacionalizar os repasses de propina advinda do negócio no Benin para o ex-deputado Eduardo Cunha, foi condenado a 11 anos e 6 meses de prisão pelos crime de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Mas garante que "Cláudia Cruz foi negligente".