EUA pedem que países do Golfo atenuem bloqueio ao Catar

Qatar recorre à Rússia para ultrapassar bloqueio dos vizinhos árabes

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A Arábia Saudita e os seus aliados, que cortaram relações diplomáticas com Doha, publicaram uma lista de pessoas e organizações alegadamente ligadas a atividades "terroristas" apoiadas, segundo dizem, pelo Qatar. De acordo com o documento, todos na lista teriam alguma ligação com o Catar. O Catar considera totalmente imerecido o isolamento e descarta mudanças em suas políticas. Nesta semana, Trump afirmou publicamente que o Catar precisa parar de financiar grupos extremistas.

Entre os nomes listados, pelo menos dois são apontados internacionalmente como apoiadores financeiros do terrorismo. Trata-se de Sad Al-Kabi e Abd Al-Latif Al-Kawari, mencionados entre as dezenas de indivíduos e entidades assinaladas pela Arábia Saudita e seus três aliados. O líder espiritual da Irmandade Muçulmana, Yousef al-Qaradawi, está entre os citados.

O corte de relações diplomáticas - complementado com uma série de medidas para isolar o país, como encerramento de fronteiras terrestres e do espaço aéreo e marítimo aos meios de transporte do país - culmina anos de tensões na aliança entre os produtores de petróleo do Golfo e reflete uma irritação crescente dos países vizinhos com o apoio do Qatar a organizações que os outros Estados árabes consideram terroristas.

O ministro catari das Relações Exteriores, Mohammed bin Abdulrahman Al-Thani, realizou uma inesperada visita à Alemanha, nestas sexta, antes de viajar no sábado (10) a Moscou, onde se reunirá com o chanceler Serguei Lavrov.

Nesta sexta-feira, 9, o governo do Catar rejeitou a lista e classificou as acusações como "sem fundamento". "Esses procedimentos que foram tomados têm violações claras do direito internacional e do direito internacional humanitário".

"O emir do Catar fez avanços titubeantes para apoiar com financiamento e expulsar os terroristas do seu país, mas devem fazer mais e devem fazê-lo mais rápido", acrescentou. "Eles não terão um impacto positivo na região, mas um negativo". "Não nos dá qualquer alegria ver as relações entre os nossos parceiros deteriorarem-se", afirmou o ministro russo num encontro em Moscovo com o homólogo catarense, prontificando a ajuda da Rússia para intervir na resolução da disputa, se necessário. "Ninguém tem o direito de intervir na nossa política externa".