Pedrógão Grande: "Não houve interrupção no funcionamento" da rede SIRESP

Diana Tinoco

Diana Tinoco

A rede SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal) escreve no relatório enviado ao primeiro-ministro que "não houve interrupção do funcionamento da rede", nem houve "nenhuma estação base que tenha ficado fora de serviço em consequência do incêndio" em Pedrógão Grande.

Ao todo foram realizadas mais de 100 mil chamadas, processadas no período crítico das 19H de dia 17 de junho até às 9H do dia 18, através de 1092 terminais.

No relatório, o SIRESP diz, no entanto, que houve cinco estações que entraram "em modo local "em virtude da destruição pelo incêndio, dos cabos de fibra óptica e outros da rede de telecomunicações que asseguram contratualmente a interligação ao resto da rede".

Mesmo no caso de falha total da Estação Base, lê-se no documento, o sistema permite "que terminais próximos comuniquem entre si em modo direto (walkie-talkie)".

O SIRESP salienta no relatório que "mesmo em situações extremas como a que se verificou em Pedrógão Grande, fica demonstrado que a Rede SIRESP funcionou de acordo com a arquitectura que foi desenhada para esta rede".

A SIRESP assegura, ainda, que "não houve estações fora de serviço por falha de energia elétrica", mas admite que se registaram situações de saturação.

As falhas de comunicação no SIRESP foram confirmadas pela "caixa negra" da Proteção Civil, segundo noticia esta manhã o jornal Público.

A empresa - que tem estado sob polémica, com a própria Autoridade Nacional de Proteção Civil a apontar-lhe várias falhas - reconhece, contudo, que houve "situações de saturação na rede", ainda que não "significativas". "O número excessivo de grupos de comunicações (talk-groups) envolvidos nas operações, que foi de 572, também poderá ter contribuído para a ocorrência de situações de saturação", defende o SIRESP.

As dados constam do relatório do SIRESP que foi entregue à ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, a pedido do primeiro-ministro António Costa. Foi nestas primeiras horas que existiram vários pedidos de ajuda de pessoas cercadas pelo fogo, a que os comandos operacionais não conseguiram dar resposta imediata, devido às falhas nas comunicações.

Também o comandante dos Bombeiros Voluntários de Castanheira de Pera, José Domingues, contrariou a entidade operadora do SIRESP e sublinhou que "houve falhas" durante o combate ao incêndio em Pedrógão Grande.

"A estação base de Serra Cabeço do Pião foi aquela que mais chamadas processou e simultaneamente mais 'busies' (não consegue estabelecer a comunicações à primeira tentativa) teve, porque atingiu a sua capacidade disponível, tendo sido processadas em média 1.646 chamadas por hora", indica o documento.