Sexo oral está a ajudar a espalhar bactéria superresistente

Gonorreia está cada vez mais resistente aos antibióticos alerta OMS

Gonorreia está cada vez mais resistente aos antibióticos alerta OMS

"As bactérias que causam a gonorreia são particularmente inteligentes".

A Organização Mundial da Saúde analisou dados de 77 países que mostraram a resistência da gonorreia aos antibióticos foi generalizada.

Já em 2016, alguns especialistas alertaram para o facto de esta 'super gonorreia' poder, eventualmente, tornar-se imune a antibióticos.

A infecção sexualmente transmissível está desenvolvendo rapidamente resistência aos antibióticos. "Sempre que usamos uma nova classe de antibióticos para tratar a infecção, a bactéria encontra uma forma de se tornar resistente", refere Teodora Wi, especialista em reprodução humana na OMS.

"No mais longo prazo, será necessária uma vacina para prevenir a gonorreia", alerta o diretor do Departamento de Resistência aos Antimicrobianos da OMS, Marc Sprenger.

São três os casos e registaram-se no Japão, em França e em Espanha, segundo uma das responsáveis da OMS, Teodora Wi. A bactéria tem uma "resistência ampliada aos antibióticos mais antigos, que também são os mais baratos".

A principal causa do aumento dos casos de gonorreia é devido à diminuição do uso de preservativos.

Os sintomas podem incluir uma secreção verde ou amarela a partir dos órgãos sexuais, dor ao urinar e sangramentos esporádicos.

No entanto, dos infectados, cerca de um em cada 10 homens e mais de três quartos das mulheres não possuem sintomas facilmente reconhecíveis. Entre essas sequelas estão a doença pélvica inflamatória, gravidez ectópica (quando o embrião se desenvolve fora do útero) e infertilidade, bem como um aumento do risco de infecção por HIV.

A pesquisa por um novo fármaco, que possa combater a doença de forma mais eficaz e alargada, existe mas a OMS explica que o desenvolvimento de antibióticos "não é muito atrativo do ponto de vista comercial para as farmacêuticas", já que os tratamentos são curtos e são também menos eficazes à medida que a doença se vai tornando resistente, o que significa a necessidade recorrente de se desenvolverem novos medicamentos.

"A nível mundial tem havido uma tendência progressiva para o aumento das resistências em diversos microorganismos, um dos quais é a bactéria que provoca gonorreia". "Qualquer novo tratamento desenvolvido deve ser acessível a todos os que necessitem dele, assegurando que seja usado adequadamente, de modo a que a resistência a medicamentos abrande o mais possível".

Mas, em última instância, a OMS disse que as vacinas seriam necessárias para parar a gonorreia. E concluiu que 66% dos países relatores já tiveram cepas de gonorreia que eram resistentes aos medicamentos para tratamento da doença; Os casos mais preocupantes foram registrados em países mais pobres, pois nessas localidades é mais difícil detectar a resistência aos remédios.