Caso de bebê britânico com doença terminal terá nova audiência judicial

BEN STANSALL Getty Images

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Os pais de Charlie Gard, o bebé de 11 meses ligado a um suporte de vida, devido a uma doença que afeta a capacidade das células de gerarem energia, tiveram direito a 48 horas, ou seja dois dias, para apresentarem novas provas de como o tratamento experimental a que querem recorrer pode melhorar a difícil condição de saúde do seu bebé, segundo o The Guardian.

À saída do hospital, na sexta-feira, a mãe, Connie Yates disse sentir-se agora "esperançosa e confiança de que Charlie tenha uma hipótese". "Não há uma pessoa viva que não queira salvar Charlie".

O Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TDH) ratificou a decisão.

Na audiência a mãe perguntou ao juiz: "Se fosse seu filho e se houvesse uma possibilidade de sucesso de 10%, o senhor o faria?".

"Dois hospitais internacionais e seus pesquisadores nos indicaram nas últimas 24 horas que havia novos elementos para o tratamento experimental que propuseram", explicou o hospital em um comunicado. Ele nasceu em agosto de 2016 e, dois meses depois, precisou ser internado.

Charlie sofre uma doença mitocondrial, uma síndrome genética raríssima e incurável, que provoca a perda da força muscular e danos cerebrais - é apenas o 16º caso em todo o mundo. "Consideramos, assim como os pais de Charlie, que é justo explorar esses elementos", completou.

Também um hospital de Nova Iorque anunciou estar disposto a "admitir e avaliar Charlie, desde que sejam tomadas as providências para o transferir em segurança, as barreiras legais sejam ultrapassadas e recebam uma aprovação de emergência da FDA para um tratamento experimental".

Na carta remetida pelo hospital infantil do Vaticano Bambino Gesú (Menino Jesus), os especialistas assinalam que poderia existir uma possibilidade de relativa melhora para o bebê com um novo tratamento conhecido em inglês como "deoxynucleoside therapy" para deficiência de RRM2B, mas que sequer foi testado em ratos. O próprio hospital Great Ormond Street, em Londres, onde Charlie se encontra, solicitou a audiência desta segunda-feira para propor que Charlie receba esse tratamento nas suas instalações e não no estrangeiro.