Janot: MPF não tem pressa para apresentar nova denúncia contra Temer

Janot vai para os EUA e 2ª denúncia contra Temer deve ficar para agosto

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O STF (Supremo Tribunal Federal) só pode julgar o presidente da República com aval dos deputados. Referindo-se às gravações feitas pelo empresário que fazem parte da delação premiada, Janot disse que sua primeira reação foi pensar que "era mentira e que aquilo não podia estar acontecendo". Chefe do Ministério Público Federal (MPF) só até setembro, Janot já ofereceu denúncia por corrupção passiva contra o peemedebista e há a expectativa de que ele ainda apresente acusações de obstrução à Justiça baseadas nos acordos de delação premiada de executivos do grupo J&F.

Sem mencionar o nome de Joesley ou da JBS, Janot apresentou a colaboração que livrou os donos da empresa da cadeia como "a grande polêmica que se tem hoje no Brasil", e garantiu que, mesmo depois de toda a polêmica, faria tudo de novo "sem o menor drama de consciência". E envolviam altíssimas autoridades da República. Janot deixa a procuradoria em setembro. Janot disse que os delatores apresentaram "takezinhos de algumas gravações" com uma diferença em relação às outras colaborações: denunciavam um crime em curso.

Isso porque, ainda conforme o procurador, as delação do ex-deputado Eduardo Cunha e do doleiro Lúcio Funaro reforçarão o relato do empresário Joesley Batista. A Câmara dos Deputados decidirá se o processo segue enquanto Temer for presidente, após a Comissão de Constituição de Justiça da Casa rejeitar o relatório favorável à denúncia apresentada pela PGR. O procurador-geral ressaltou que os colaboradores denunciavam um presidente da República, um senador que tinha recebido 50 milhões de votos como candidato à Presidência [o tucano Aécio Neves] e "um colega meu recebendo dinheiro, infiltrado [o procurador eleitoral Ângelo Goulart Villela]".

"Em toda a negociação, esses sujeitos diziam à gente que não abriam mão de imunidade", disse Janot ao justificar sua decisão. "Sopesando o interesse público, conceder imunidade a criminosos e são criminosos mesmo, praticaram vários e vários e vários crimes, ou não sabendo da prática do curso em crime eu não ter como fazer cessar eu não ter como fazer cessar essa prática em curso". "Antes de elaborado o acordo, esses criminosos concordaram em participar de outro meio de obtenção de prova que é previsto na lei, que é a ação controlada", explicou.

Janot foi o oitavo convidado de uma série de palestras do Brazil Institute sobre as investigações que agitam a política brasileira desde 2014. Na quarta-feira, é a vez do ministro da Justiça, Torquato Jardim.