Milhares votam em plebiscito simbólico contra Nicolás Maduro

Venezuelanos também na Madeira podem decidir se querem que Maduro continue a presidir

Venezuelanos também na Madeira podem decidir se querem que Maduro continue a presidir

Os venezuelanos começaram hoje a votar no plebiscito simbólico contra o projecto de Assembleia Constituinte, do Presidente Nicolás Maduro, ao fim de três meses de manifestações violentas, anunciaram os organizadores. Não à nova assembleia constitucional, proposta pelo presidente Nicolás Maduro, sim a novas eleições antes do fim do mandato do atual presidente, que termina em 2019, e sim à defesa da constituição pelas forças armadas. A atitude tomada pela Assembleia Nacional se dá pela votação marcada por Maduro, para o dia 30 de julho, com o intuito de eleger membros para a mudança da Constituição Venezuelana, de 1999.

A consulta popular decorreu em 1600 assembleias de voto, na Venezuela e, também, em 80 países, como Portugal, onde se estima que vivam cerca de 20 mil cidadãos venezuelanos com o direito de Voto. Também foram habilitados locais de votação em Brasília, Curitiba, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Belém, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo.

Nas últimas eleições, as parlamentares de 2015, 7,7 milhões de pessoas votaram na oposição e permitiram que ela rompesse a supremacia chavista no Congresso.

"Não tinha acontecido nada sério, nada grave, nenhuma tragédia a lamentar, mas Maduro e seu regime viram uma participação em massa no plebiscito e se apavoraram", declarou em entrevista coletiva a ex-deputada da oposição María Corina Machado, ao responsabilizar o presidente.

"É um processo sumamente simples, e o chamado é ao povo da Venezuela para que venha no próximo 30 de julho a todos os centros eleitorais (.)".

Antes da abertura das urnas, dezenas de pessoas faziam fila em setores de Caracas como Chacaito e Los Palos Grandes, onde as primeiras tendas e mesas foram instaladas com os seus respectivos delegados e voluntários, muitos vestidos de branco, de acordo com jornalistas da AFP. Em paralelo, o CNE fez neste domingo uma simulação da votação da Constituinte. Segundo o instituto de pesquisa Datanálisis, 70% dos venezuelanos rejeitam a Constituinte.

Desde 1º de abril, 92 pessoas já morreram e 1519 ficaram feridas por conta dos protestos na Venezuela, segundo números da Procuradoria-Geral da República. O país passa por uma das piores crises econômicas de sua história, com inflação alta e escassez de produtos.