Netanyahu em Paris para assinalar com Macron rusga de Vel d'Hiv

Macron pede renovação das conversas de paz entre Israel e Palestina

Macron pede renovação das conversas de paz entre Israel e Palestina

O presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu assistiram este domingo às comemorações do 75.º aniversário da detenção em massa, seguida da deportação para campos de morte nazis, de mais de 13 mil judeus em julho de 1942.

Foi a primeira vez que um chefe de governo israelita assistiu a cerimónia que assinala deportação de 1942. Presos em condições desumanas durante quatro dias, foram levados ao Velódromo de inverno (demolido em 1959) e então para os campos de Loiret. "Eu vim aqui para chorar com vocês pelas vítimas", disse o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Uma ideia claramente rebatida por Emmanuel Macron na intervenção proferida nas cerimónias, em que reiterou a responsabilidade de França e do governo da época. O premiê descreveu o convite como "um gesto forte" que enfatiza a longa amizade entre os dois países.

"Pela sagrada honra dos que morreram, nos lembraremos do passado e garantiremos o amanhã", afirmou o premiê israelense. Lá, 3 mil crianças foram brutalmente separadas de seus pais, deportados para Auschwitz.

O presidente francês clamou pela retomada das negociações de paz, destacando a importância de se chegar "à solução de dois Estados, Israel e Palestina, com fronteiras seguras e reconhecidas e tendo Jerusalém como capital". Na ocasião, ele afirmou que a França era responsável pelos envios, e não o regime de Vichy, que colaborava com os nazistas.

"A França está pronta para apoiar todos os esforços diplomáticos para este fim, dentro dos parâmetros de paz reconhecidos pela comunidade internacional", completou Macron, em coletiva de imprensa após a reunião de duas horas com o líder israelense.

Ele também mencionou e criticou implicitamente a colonização israelense nos territórios palestinos, evocando o "direito internacional".

As negociações entre israelenses e palestinos estão paradas desde o fracasso da mediação dos Estados Unidos, em 2014.

Netanyahu elogiou a "determinação" de seu anfitrião para combater o antissemitismo e disse estar convencido de que a França "tem um potencial enorme".