Escritora relata estupro em Uber: '/Virei estatística de novo'

Clara Averbuck escritora cria campanha contra o estupro

Clara Averbuck escritora cria campanha contra o estupro

A escritora e militante feminista Clara Averbuck foi vítima de um estupro na noite de domingo (27), em São Paulo, quando voltava para casa por meio do aplicativo que conecta motoristas com passageiros.

O motorista chegou a derrubar Clara no chão, deixando-a com um hematoma em um dos olhos e um ferimento na testa, porém, como não há indícios de sêmen em suas roupas ou corpo, a escritora acredita que isso não será o suficiente para que ela possa "provar" a violência sofrida. "A cidade precisa avançar na política de combate ao assédio e abuso sexual nos transportes públicos e iniciar o debate sobre a mesma prática nos transportes via aplicativo”, afirma". "Bom, virei estatística de novo". Não vou incorrer no mesmo erro de quando eu era adolescente e me culpar.

Na publicação do Facebook - que conta com mais de 10 mil gostos de cerca e 1,3 mil partilhas -, a escritora brasileira relata ao pormenor o momento da alegada violação: "O nojento do motorista do Uber aproveitou meu estado, minha saia, minha calcinha pequena", pode ler-se na publicação.

A escritora escreveu que está sendo medicada para se acalmar, enquanto decide se vai à delegacia.

"Estou decidindo se quero me submeter à violência que é ir a uma delegacia da mulher ser questionada, já que a violência sexual é o único crime que a vítima é quem tem que provar". O motorista parceiro foi banido e estamos à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações.

"Estou com o olho roxo e a culpa de ter bebido e me colocado em posição vulnerável não me larga. a culpa não é minha". Eu sei. A dor, a raiva e a impotência também não me largam. Ela conta ter levado várias mulheres à delegacia e diz saber o que a espera. "O mundo é um lugar horrível para ser mulher", finalizou, a escritora.

No fim, a escritora gaúcha disse que ninguém irá derrubá-la.

Em nota, a Uber relatou que "repudia qualquer tipo de violência contra mulheres".