MPF admite que Delcidio mentiu ao acusar Lula e pede absolvição

MPF pede a perda de benefícios concedidos a Delcídio em delação

MPF pede a perda de benefícios concedidos a Delcídio em delação

No mesmo documento, o MPF pede a absolvição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do banqueiro André Esteves, por falta de provas de que eles teriam participado do esquema criminoso.

Nas alegações finais do processo, que tramita na Justiça Federal do Distrito Federal, o MPF pediu ainda a perda de benefícios de delação premiada por parte do ex-senador Delcídio do Amaral, que afirmou que Lula ordenou a ele que comprasse o silêncio do ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Segundo Cláudio Marx, ao contrário do que narrou Delcídio em colaboração, o silêncio do ex-diretor da Petrobras não foi encomendado ou não interessava a Lula, mas ao ex-senador. "E Cerveró estava sonegando informações no que se refere a Delcídio, e não sobre Lula, a quem inclusive imputava fatos falsos, no intuito de proteger Delcídio", diz o documento.

Em nota, a defesa do ex-chefe de Estado brasileiro manifestou-se, dizendo que o pedido de absolvição formulado hoje pelo MPF "é justo e reflete a prova da inocência do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi coletada especialmente nos depoimentos de 31 testemunhas".

Os depoimentos de Delcídio na colaboração e à Justiça levaram à abertura de ação penal contra sete pessoas. A avaliação do MPF é que o silêncio de Cerveró interessava somente ao ex-senador. A rescisão total do acordo cabe à Procuradoria-Geral da República. São eles: o ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS) o advogado Edson de Siqueira Ribeiro Filho e os demais denunciados: Maurício Barros Bumlai, José Costa Barros Bumlai e Diogo Ferreira Rodriguez. "O principal era impedir a revelação de que Delcídio recebeu R$ 4 milhões da construtora UTC como propina e que o dinheiro foi usado em caixa dois em sua campanha ao governo do Estado do Mato Grosso", diz Marx.

Em 2015, Delcídio foi gravado pelo filho de Cerveró oferecendo ajuda para o ex-diretor escapar do país, em troca de Cerveró não fazer acordo de delação premiada. "O Ministério Público, em um parecer técnico e bem fundamentado, pede a absolvição do Andre Esteves no processo onde ele foi acusado de obstrução de Justiça, aquele em que ele foi preso".

"É impossível ele perder os benefícios do acordo de delação premiada, porque a colaboração dele não se atém exclusivamente a esse assunto".

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay) comemora a manifestação do MPF.

Com a entrega das alegações finais pelo MPF, o processo entra na fase final.

Seguindo a tese adotada pelo MPF de "temos convicções, mas não temos provas", os delatores para escapar da prisão seguiram o script de apontar o condenado para depois escolher qual foi o crime cometido, citando nomes e criando situações, sem que tivessem provas do suposto fato.