Temer quer suspensão de nova denúncia até o julgamento de Janot

Rafaela Felicciano  Metrópoles

Rafaela Felicciano Metrópoles

Nesta quinta (31), após fazer ajustes numa cláusula sobre improbidade, a Procuradoria-Geral da República devolveu o acordo de Funaro para a Fachin. Na delação, Joesley acusou Temer de receber propina da sua empresa por meio do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures. Para o empresário, que é dono de uma das maiores companhias de proteína do planeta, Michel envergonha todos os brasileiros com sua postura.

Na última noite, à espera de uma segunda denúncia, o presidente partiu para ataques políticos, na tentativa de criar uma "vacina" contra as acusações que podem abalar novamente o governo, aumentando a crise.

A acusação, porém, terá de seguir sob sigilo porque citará trechos da delação de Funaro.

A defesa do presidente Michel Temer (PMDB) entrou com um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) e pediu que uma eventual nova denúncia oferecida contra o presidente seja suspensa até a Corte analisar um pedido de suspeição formulado contra o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Funaro acionou meses atrás a Justiça para cobrar valores devidos a ele pelo grupo empresarial do senhor Joesley Batista. "Pegos na falsidade pela Operação Bullish, [os irmãos Joesley e Wesley Batista] não tiveram a delação anulada, mas puderam, camaradamente, 'corrigir' suas mentiras ao procurador-geral".

Qual mágica teria feito essa pessoa, que traiu a confiança da Justiça e do Ministério Público, ganhar agora credibilidade? E faz um mea-culpa, admitindo que levava uma vida de crimes.

O que difere essa situação de todas as outras anteriores é que uma denúncia contra o presidente da República precisa ser submetida ao plenário da Câmara. Segundo relatou a PGR, ele ameaçou matar um idoso de mais de 80 anos (Milton Schahin) e a um outro (Fábio Cleto) prometeu "colocar fogo na casa dele com os filhos dentro". Quem garante que, ao falar ao Ministério Público, instituição que já traiu uma vez, não o esteja fazendo novamente?

Ainda na nota, Temer "se resguarda o direito de não tratar de ficções e invenções" e nega que tenha atuado para obstruir investigações. Segundo Mariz de Oliveira, o fato do pgr ter dito que "enquanto houver bambu, lá vai flecha", referente à denúncia contra o peemedebista, bem como o fatiamento das acusações contra o presidente, são fatos relevantes sobre a conduta de Janot. "Prêmio igual ou semelhante será dado a um criminoso ainda mais notório e perigoso como Lúcio Funaro?", diz a nota do Planalto. Ocorre que o PGR quis aparecer antes de se despedir do cargo como o procurador que denunciou um presidente em exercício e prejudicou a justiça, anistiou criminosos e aumentou a sensação de impunidade.