Janot pode anular delação do grupo JBS

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Por causa do horário, o protocolo foi eletrônico e aí não se pode anexar gravação. Um ficcionista não imaginaria tanto. Segundo Janot, a revisão do acordo não invalida as provas obtidas.

Diante da suspeita de omissão de informações, o procurador-geral assinou portaria com pedido de revisão dos acordos de três dos sete delatores da JBS, incluindo além de Joesley e Saud, o diretor jurídico do grupo, Francisco de Assis. De acordo com Janot, se os executivos da JBS erraram, deverão pagar por isso, mas "não desqualificará o instituto [da delação premiada]". "O advogado é que tem que cuidar disso", disse.

"Consta do vasto material entregue à PGR diversos áudios, um dos quais possui cerca de quatro horas de duração, aparentemente gravado em 17 de março deste ano, e traz uma conversa entre os colaboradores Joesley Batista e Ricardo Saud". Outra cláusula diz que, em caso de rescisão por culpa exclusiva do delator, ele "perderá automaticamente direito aos benefícios que lhe forem concedidos em virtude da cooperação com o Ministério Público Federal, permanecendo hígidas e válidas todas as provas produzidas, inclusive, depoimentos que houver prestado e documentos que houver apresentado, bem como válidos quaisquer valores pagos ou devidos a título de multa". Ao entregar tudo de forma apressada, eles se incriminaram. "A análise de tal gravação revelou diálogo entre dois colaboradores com referências indevidas à PGR e ao Supremo Tribunal Federal", disse Janot.

A conversa, segundo o procurador, cita suposta irregularidade cometida pelo ex-procurador Marcello Miller, que trabalhou ao lado de Janot no MPF. Ele fez visita de Estado ao país asiático onde foi recebido por líderes chineses como o presidente Xi Jinping, além de ter tido encontros com empresários chineses. "Também vamos peticionar ao ministro Edson Fachin (relator do caso JBS no Supremo Tribunal Federal), que homologou a delação, para que tome medidas".

Depois que o Palácio do Planalto emitiu nota na sexta-feira, 1, dizendo que o dono da JBS é "grampeador-geral da República", o empresário também divulgou texto em que chamou Temer de "ladrão-geral da República" e, ainda, que o presidente "envergonha" todos os brasileiros. "Não só ele, mas qualquer pessoa que tenha cumprido a lei", disse Janot. Em um dos trechos da gravação, Joesley indica realizar pagamentos ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e ao corretor Lúcio Funaro para evitar que os dois assinassem um acordo de colaboração com a Lava Jato.

"Esse questionamento já havia sido feito por nós, antes mesmo da apresentação da primeira denúncia [de Janot contra Temer]". E é o que está escrito na cláusula 27 do acordo, conforme apurei.

Em seu último compromisso na China, Temer participa do Diálogo de Economias Emergentes e Países em Desenvolvimento do Brics. Com 13 dias para o fim do mandato, ele ontem protagonizou uma mudança radical de rumos.

O Supremo deve tornar a gravação pública ainda nesta terça-feira (05).