Mais de 123 mil rohingyas cruzaram a fronteira com o Bangladesh

MOHAMMAD PONIR HOSSAIN  REUTERS

MOHAMMAD PONIR HOSSAIN REUTERS

Quase 50 mil muçulmanos da minoria rohingya fugiram de suas casas em Myanmar diante dos episódios de violência e perseguição cometidos pelo Exército do país nos últimos dias. Trata-se do maior surto de violência que atingiu os rohingya em décadas.

Na quinta-feira (31), três barcos que levavam pessoas da minoria rohingya que fugiam dos conflitos naufragaram na costa de Bangladesh.

Retno Marsudi indicou em comunicado que visita de um dia pretende "ajudar a superar a crise humanitária" que obrigou cerca de 30 mil rohingya a deslocarem-se para o Bangladesh nas últimas semanas. Os refugiados que conseguiram chegar com vida ao Bangladesh na última semana têm relatado "massacres" perpetrados pelo Exército, com os soldados a queimarem aldeias inteiras e a condenarem mulheres e crianças à morte por afogamento na travessia do rio Naf para o Bangladesh. Dentre os que fogem, muitos dormem a céu aberto e precisam de água e alimentos após terem caminhado por vários dias, segundo um relatório do Escritório de Coordenação da ONU.

Com maioria budista, Mianmar não reconhece os rohingyas como cidadãos, negando acesso a serviços como saúde e educação.

Os confrontos começaram com o ataque a várias delegacias em 25 de agosto por parte dos rebeldes do Exército de Salvação Rohingya de Arakan (ARSA, na sigla em inglês), que afirma defender os direitos da minoria muçulmana rohingya.

Aung San Suu Kyi, líder de facto do governo birmanês, ex-presa política da junta local, é cada vez mais criticada por mostrar pouca disposição a falar sobre o tratamento aos rohingyas, ou de repreender os militares. - As pessoas estão em campo de refugiados, nas estradas, nos pátios das escolas e a céu aberto.

Desde 2012 o estado de Rakhine é cenário de violência religiosa.

Centenas de pessoas, a maioria rohingyas, morreram durante estes ataques e posterior ofensiva governamental, de acordo com testemunhos.

A atual onda de violência é a mais grave já registrada.

O fluxo aumenta o temor de um desastre humanitário em Bangladesh, onde os saturados acampamentos de refugiados já abrigavam 400.000 rohingyas antes do êxodo em massa.