MPF: Cabral pagou US$ 2 milhões para comprar voto na Olimpíada

Nuzman teria tido participação direta na compra de votos do membros do COI para os Jogos e teria sido o responsável por interligar corruptos e corruptores

Nuzman teria tido participação direta na compra de votos do membros do COI para os Jogos e teria sido o responsável por interligar corruptos e corruptores

Alvo nesta terça-feira da Operação Lava-Jato, que apura fraudes na Olimpíada do Rio, o empresário Arthur César de Menezes Soares Filho, conhecido como o "rei Arthur", vai ter seu nome incluído na lista de foragidos da Interpol.

A Polícia Federal cumpre na manhã desta 3ª feira (5.set.2017) mandados de busca e apreensão na casa do presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), Carlos Arthur Nuzman.

"Os fatos apurados indicam a possibilidade de participação do dono das empresas terceirizadas em suposto esquema de corrupção internacional para a compra de votos para a escolha da capital fluminense pelo Comitê Olímpico Internacional como sede das Olimpíadas 2016", disse a PF em comunicado. A investigação é realizada em parceria com o Ministério Público da França.

Ainda de acordo com as investigações, ele teria participado da compra de votos de membros do COI para os jogos e seria o principal responsável por tratar da corrupção no local.

As autoridades cumprem mandados de prisão preventiva contra "Rei Arthur" e Eliane Cavalcante, além de onze mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal/RJ, na cidade do Rio de Janeiro (Leblon, Ipanema, Lagoa, Centro, São Conrado, Barra da Tijuca e Jacaré), no município de Nova Iguaçu/RJ e em Paris/França.

As investigações, que já duram nove meses, apontam que os pagamentos teriam sido efetuados tanto diretamente com a entrega de dinheiro em espécie, como por meio da celebração de contratos de prestação de serviços fictícios e também por meio do pagamento de despesas pessoais. "Além disso, teriam sido realizadas transferências bancárias no exterior para contas de doleiros", informou a nota da Polícia Federal. "Ele (Nuzman) afirma que não atuou de forma irregular, que nada foi feito de errado durante a campanha", declarou a jornalistas o advogado do presidente do COB, Sergio Mazzillo. "Não existem fortes indícios". A Justiça francesa acionou a Polícia Federal brasileira para cooperação na investigação.

Em 2 de outubro de 2009, Papa Massata Diack, poderoso consultor de marketing para l'IAAF, transferiu 299.300 dólares de sua empresa para uma estrutura (Yemi Limited), que o Le Monde conseguiu vincular, graças aos dados do Panama Papers, ao ex-campeão atlético namibiano Frankie Fredericks. Segundo o "Le Monde", uma offshore de propriedade de Arthur Soares no Caribe enviou um pagamento de US$ 1,5 milhão para uma empresa de Papa Diack, filho de Lamine, a três dias da eleição do Rio.

O dinheiro do esquema vinha do empresário Arthur Soares, que abastecia uma conta no Caribe, gerenciada por um operador do esquema do ex-governador de Sérgio Cabral.