Acordo de delação premiada da JBS pode ser suspenso

Temer diz que possível nova denúncia da PGR não preocupa

Temer diz que possível nova denúncia da PGR não preocupa

Fachin poderá decidir sobre a derrubada do sigilo das gravações.

Os áudios entregues pelos advogados da JBS à Procuradoria Geral da República (PGR), os delatores Joesley Batista e Ricardo Saud dizem que uma pessoa chamada Marcelo - que seria o ex-procurador Marcelo Miller - iria ajudar na aproximação com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. "Essa foi a primeira vez que a PGR tomou a decisão de revisar todo o processo de delação premiada". Isso fazia parte do cronograma de cumprimento do acordo.

Marcelo Miller foi intimado a comparecer à PGR, também até sexta-feira 8, para prestar depoimento sobre sua atuação. A conversa dá a entender que ele estaria auxiliando na confecção de propostas de colaboração para serem fechadas com a PGR, conduta que, em tese, configuraria crime e ato de improbidade administrativa. O ex-procurador disse ainda que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos.

O que o procurador confirmou é que duas pessoas citadas pelos delatores em tal conversa - que teria sido gravada "por engano" por eles e que teria um total de quatro horas - teriam foro privilegiada, sendo um parlamentar com mandato em vigor e um ministro do próprio Supremo.

Membro da oposição, o deputado Henrique Fontana (PT-RS) afirmou que os fatos expostos por Rodrigo Janot em nada impedem uma segunda denúncia contra o presidente Michel Temer que, na opinião dele, deverá ser mais consistente.

"Com a serenidade de sempre, não houve uma alteração sequer", disse Temer a jornalistas, em Xiamen, onde participa de cúpula do Brics, ao ser perguntado sobre como recebeu a notícia.

Temer reiterou que é seu advogado quem está cuidando do caso. Eu realmente tenho que ter a maior serenidade, como sempre tive. Respeito todas as decisões que forem tomadas pela Justiça, pela Câmara dos Deputados, pela Procuradoria-Geral. Caso comprovada a omissão, o acordo poderá ser anulado, disse o procurador.

O ministro ainda considerou o acordo como "um desastre que foi mal conduzido desde o início". "Em determinada passagem, os interlocutores afirmam que, quando da deflagração da Operação Carne Fraca - que investigou vários frigoríficos do país, alguns deles ligados à JBS -, Marcelo Miller teria enviado extensa mensagem para Francisco de Assis e Silva tentando justificar a situação", diz outro trecho do despacho de Janot.