Delatores dizem que Aécio é 'bandidão' em novo áudio da JBS

Fachin vai decidir sobre sigilo de gravação que pode anular delação da JBS

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A transação para o futuro repasse de dinheiro envolveu também Aécio, que, conforme depoimentos da delação de Joesley Batista, teria afirmado que, no caso de emplacar Aldemir Bendine na presidência da companhia Vale, o próprio Bendine "resolveria o problema dos 40 milhões pedidos por Andrea Neves".

Saud: Ah é. Hoje eu tava fazendo a soma toda lá no Guarujá, sabendo que ocê tava pagando dinheiro pro PT. Você viu quanto eu economizei pro cê, seu.? Em um dos momentos, Saud diz que eles vão "pegar o Aécio também".

Ao narrar a conversa com Marcelo, Saud conta: "Inclusive lá nós conversamos, o cara [Cardozo] falou que tem cinco ministros na mão dele".

A decisão foi tomada com base no áudio de conversa entre Joesley e Saud entregue à PGR em 31 de agosto.

Para tentar atrair Cardozo, eles combinam de tentar marcar um encontro com ele sob o pretexto de contratar seus serviços.

"O que nós falamos não é verdade, pedimos as mais sinceras desculpas por este ato desrespeitoso e vergonhoso e reiteramos o nosso mais profundo respeito aos ministros e ministras do Supremo Tribunal Federal, ao procurador-geral da República e a todos os membros do Ministério Público", dizem os delatores. Na gravação, Joesley Batista se refere a ele como uma pessoa que possui informações sobre prática ilícitas no STF. A depender do que Cardozo contasse, eles entregariam o conteúdo à PGR e ficariam "bem na fita". No entanto, no encontro com Cardozo, os dois só teriam obtido informações genéricas sobre os ministros.

Nas conversas, o empresário e o advogado da companhia também mencionam outros dois magistrados do STF, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes, segundo revelou o repórter Rodrigo Rangel, da revista Veja, além do ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União José Eduardo Cardozo. Na conversa, sem saber que estava sendo gravado, Joesley diz a Saud que o procurador Marcelo Miller está colaborando com eles no Ministério Público.

Uma das dicas para conquistar a confiança de Janot era "falar a língua dos procuradores" e "chamar todo mundo de ladrão".