Joesley Batista cita quatro ministros e implode STF

Rodrigo Janot

Rodrigo Janot

Os delatores Joesley Batista e Ricardo Saud, do Grupo J&F - que inclui a JBS -, afirmam em uma conversa gravada que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tinha ciência dos seus planos para delatar. As revelações foram feitas em uma conversa gravada, aparentemente por acidente, com o diretor de Relações Institucionais da empresa Ricardo Saud.

A J&F classifica a possibilidade de anulação do acordo, firmado entre a JBS e o Ministério Público Federal, como uma "interpretação precipitada" do material que "será rapidamente esclarecida assim que a gravação for melhor examinada". O que nós falamos não é verdade, pedimos as mais sinceras desculpas por este ato desrespeitoso e vergonhoso e reiteramos o nosso mais profundo respeito aos Ministros e Ministras do Supremo Tribunal Federal, ao Procurador-Geral da República e a todos os membros do Ministério Público.

"Ricardo, nós somos a joia da coroa deles", diz Joesley em outro trecho.

Rodrigo Janot acrescenta que os áudios contêm indícios "de conduta em tese criminosa atribuída ao ex-procurador Marcelo Miller, que ao longo de três anos foi auxiliar do gabinete do procurador-geral".

"Os colaboradores apresentaram, dentro dos prazos legais estabelecidos, as informações e documentos que complementam os esclarecimentos prestados previamente à Procuradoria-Geral da República e continuam à disposição para cooperar com a Justiça", diz a nota dos delatores da JBS.

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Nesse trecho do diálogo, Saud insisti em saber se Janot sabia por meio de "Marcelo".

O Planalto acredita que, com esses fatos novos, tentará desqualificar Joesley Batista como delator e inviabilizar a esperada segunda denúncia de Janot contra Temer. A clara contenção dos ministros pode ser compreendida diante da expectativa da manifestação da presidente do STF, que falará em nome da instituição. A suspeita é de que o ex-procurador possa ter ajudado a JBS a fazer a delação e a negociar os benefícios.

Para autoridades responsáveis por investigar o assunto, esse fato não retira a necessidade de apurar a veracidade do que disseram no diálogo travado. Pode haver, no entanto, reflexos na "premiação" da delação, inclusive com a perda total dos benefícios.

A presidente do tribunal, ministra Cármen Lúcia, gravou e divulgou ontem à noite declaração em vídeo para defender o tribunal e comunicar que pediu à PGR e à Polícia Federal uma investigação sobre as menções feitas pelos delatores a integrantes da Corte. Ele teria dado instruções ao grupo informalmente nas negociações iniciais para a delação, indicando como eles devem proceder e tocar as tratativas com a PGR.

"Nós vamos sair amigos de todo mundo e nós não vamos ser presos".