Maia cobra reação 'dura e rápida' em relação à gravação da JBS

“Se não aprovar em novembro, a reforma não sai”, afirma Rodrigo Maia

“Se não aprovar em novembro, a reforma não sai”, afirma Rodrigo Maia

O presidente da República em exercício, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta terça-feira, 5, que partiu dele o convite para que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), jante em Brasília, na residência oficial da Câmara dos Deputados. Maia assumiu interinamente a função de presidente enquanto Michel Temer está em viagem à China.

Ao final da entrevista, o presidente da República em exercício afirmou que acredita que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) supostamente citados nos áudios "foram citados de maneira irresponsável".

"Ontem nós estávamos discutindo como que ia ser a denúncia, qual o prazo, como é que ela vem, Agora estamos discutindo a reorganização da delação da JBS".

- A PGR (Procuradoria Geral da República) não tinha informações, também não podemos culpar a PGR por informações que ela não tinha naquele momento. Para ele, "o instituto da delação tem a sua importância". "Não tem nada a ver com eleição, tem a ver com o diálogo que temos permanente", disse Maia. "Devemos analisar com todo respeito e decidir de forma rápida para avaliar as mudanças que o país precisa", afirmou o deputado, acrescentando que não sabe, no entanto, quando a nova denúncia contra Temer será apresentada.

Ontem, no jantar que havia sido marcado para tentar chegar a um acordo sobre a empacada reforma política, as novas gravações da JBS dominaram a noite.

Segundo Rodrigo Maia, não se pode culpar, no entanto, a PGR por informações que, à época da delação, os procuradores não tinham.

. "Portanto, eu prefiro ficar distante para poder ficar isento", disse. "Os fatos que eles têm relatado tem se confirmado com provas robustas, por exemplo, a mala de dinheiro que saiu de dentro daquela pizzaria na mão de um deputado federal que é da estrita confiança de Michel Temer, isso não muda nada, pelo incidente de Joesley ter omitido uma parte dos crimes que conhecia", declarou Henrique Fontana (PT-RS). Ele se referia ao fato de novas gravações que vieram à tona na semana passada revelarem que o então procurador Marcelo Miller, colega de Janot, teria ajudado a elaborar o acordo de delação dos executivos.

"Eu sou a favor das investigações, que ninguém tenha compromisso com o erro, seja desse Poder [Legislativo], seja do Poder Judiciário, do Poder Executivo ou dos membros do próprio Ministério Público. É isso que espero, que sem nenhuma precipitação, as investigações sejam verdadeiramente aprofundadas e se tiver que cortar, que corte na carne de quem efetivamente praticou atos adversos à moral e à boa pratica pública", destacou. "Acho que estamos vivendo num Brasil democrático, onde a lei deve valer para todos os brasileiros, seja ele pobre, rico, detentor de poder, não detentor de poder".

Eunício reiterou que a Casa não participa do processo de acatar ou não uma denúncia contra Temer.