Após cerca de 3 horas, termina depoimento de Joesley na PGR

Fachin determina a prisão de Joesley Batista e Ricardo Saud

Fachin determina a prisão de Joesley Batista e Ricardo Saud

Naquele momento, Miller estaria tentando "justificar a situação" que teve a JBS como um dos principais alvos da Polícia Federal. O depoimento do ex procurador está marcado para esta sexta feira.

O ex-procurador - que atuava como braço-direito do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, até março deste ano, e participava do Grupo de Trabalho da Lava Jato - passou a trabalhar no escritório de advocacia que negociou os termos da leniência do grupo JBS com a Procuradoria-Geral da República. Na conversa, a suposta mensagem sobre a Carne Fraca teria sido citada. Os dois chegaram por volta das 10h ao aeroporto internacional de Brasília, em um jatinho particular para prestar depoimento. "O procurador-geral da delação Joesley, desse contrato com criminoso, dessa fita e no final ele inclusive tentou envolver o STF de forma realmente lamentável, dizendo que tinha o envolvimento de ministros, o que mostra realmente a sua pouca qualidade institucional", complementou o ministro do Supremo.

A PGR suspeita que Miller tenha atuado como agente duplo.

Em nota, Joesley Batista e Ricardo Saud, executivos e delatores da JBS, pediram desculpas pelo conteúdo dos áudios gravados e entregues à Procuradoria-Geral da República (PGR).

A PGR entende que houve patente descumprimento de dois pontos de uma cláusula do acordo de delação premiada que tratam de omissão de má-fé, o que justifica rever os benefícios.

O ex-procurador Marcello Miller deve depor sobre o assunto nesta sexta (8).

O ex-procurador pediu o desligamento do Ministério Público Federal no dia 23 de fevereiro, mas a saída foi oficializada em 5 de abril.

"Não se pode ludibriar impunemente o Ministério Público e o Poder Judiciário".

O primeiro a ser ouvido pela PGR nesta manhã foi o advogado Francisco. A anulação de parte do acordo pode ser feita porque o áudio entregue à PGR na semana passada pelos próprios delatores revela fatos que não haviam sido mencionados antes, como a colaboração de Miller.

Nesta segunda-feira (4), Janot, disse que pode anular a delação premiada de executivos da JBS por omissão de informações sobre práticas de crimes cometidos durante a negociação do acordo. "Agride-se, de maneira inédita na história do país, a dignidade institucional deste Supremo Tribunal Federal e a honorabilidade de seus integrantes", disse a ministra, em pronunciamento em vídeo divulgado pela Corte. A gravação também compromete a reputação de Janot, o qual consideraria a prisão dos delatores um meio de melhorar sua imagem, às vésperas de sua saída do cargo de procurador-geral.