Janot denuncia senadores do PMDB por organização criminosa

Janot denuncia políticos do PMDB do Senado por organização criminosa

Janot denuncia políticos do PMDB do Senado por organização criminosa

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou nesta sexta-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra vários políticos do PMDB no Senado por formação de organização criminosa e desvio de dinheiro público.

São acusados de organização criminosa os senadores Edison Lobão (MA), Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR), Valdir Raupp (RO) e Jader Barbalho (PA), além do ex-senador José Sarney e do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. Prejuízo gerado seria de R$ 5,5 bilhões aos cofres da Petrobras e de R$ 113 milhões aos da Transpetro. Juntos, os parlamentares embolsaram mais de R$ 860 milhões em propina.

O procurador afirmou que os sete pemedebistas atuaram "com vontade livre e consciente, de forma estável, profissionalizada" para "desviar em proveito próprio e alheio, recursos públicos".

A denúncia afirma que o grupo obteve cargos na Petrobras e na Transpetro em troca do apoio dado ao governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Essas pessoas relacionavam-se com os empresários que, por sua vez, pagavam os valores indevidos por meio de estruturas próprias desenvolvidas para ocultar a origem dos recursos ilícitos, por intermédios de doleiros que já operavam no mercado e também mediante doações eleitorais", detalhou Janot.

"Os agentes políticos, plenamente conscientes das práticas indevidas que ocorriam na Petrobras, tanto patrocinavam a nomeação e manutenção dos diretores e dos demais agentes públicos no cargo, quanto não interferiam nem fiscalizavam devidamente o cartel e irregularidades subjacentes", destaca a denúncia. Rodrigo Janot afirmou que essa organização criminosa recebeu propina pelo menos até 2014.

De acordo com a denúncia, todos os integrantes da organização criminosa tinham um mesmo interesse que os uniu: receber o máximo de vantagem econômica.

Em nota, Romero Jucá disse que "acredita na seriedade do STF ao analisar as denúncias apresentadas pelo PGR".

O senador Renan Calheiros declarou que o procurador-geral dispara mais denúncias defeituosas para encobrir os malfeitos dele, e que nunca manteve qualquer relação com os operadores citados. "Sua colaboração trouxe provas materiais sobre crimes envolvendo políticos e fornecedores da Transpetro, que vêm sendo confirmados por outras colaborações, e já resultou na instauração de diversos procedimentos perante o Supremo Tribunal Federal, além de inquéritos policiais na Subseção Judiciária de Curitiba". "Esta denúncia deveria ter aguardado a transição junto ao Ministério Público".