Parlamento da Catalunha aprova referendo separatista. Governo recorre

Governo da Catalunha marca referendo independentista para 1 de outubro

Governo da Catalunha marca referendo independentista para 1 de outubro

O chefe do Executivo espanhol comunicou o recurso ao Constitucional após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros.

Após 11 horas de intensos debates, os 72 deputados independentistas (num total de 130) aprovaram o texto que deverá enquadrar legalmente um referendo unilateral para a autodeterminação da Catalunha, previsto para 1 de outubro.

Raül Romeva lamenta que, apesar do mandato que têm dos catalães, não tenha sido possível ter chegado a um acordo para levar a cabo o referendo. Ele ressaltou que a convocação do referendo "representa um ato intolerável de desobediência às instituições democráticas".

Durante o anúncio da aprovação da Lei o presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont, independentista, disse que "ninguém tem a autoridade nem o poder de confiscar o nosso direito de decidir". Os três partidos da oposição, PSC, PP e Cidadãos tentaram bloquear, sem sucesso, a votação da Lei de Transitoriedade, que define os parâmetros do período de transição para a independência.

Este expediente junta-se a um outro anunciado na quarta-feira contra os membros da mesa do parlamento catalão que permitiram que fosse apresentada a votação a proposta de lei do referendo, que acabou por ser aprovada.

Porém, nem todos partilham desta unidade partidária em defesa da Constituição espanhola contra o referendo.

O Constitucional sublinha que os autarcas catalães e os elementos do governo regional não podem participar na organização da consulta popular à independência.

Os representantes do Parlamento da Catalunha, contudo, afirmam que não irão recuar da medida, mesmo com a ameaça da Procuradoria-Geral da Espanha de apresentar denúncias criminais contra os políticos separatistas.

O conflito entre Madrid e a região mais rica de Espanha, com cerca de 7,5 milhões de habitantes, uma língua e culturas próprias, arrasta-se há várias décadas.