Fachin suspende benefícios concedidos a delatores da J&F

O procurador-geral da República Rodrigo Janot

O procurador-geral da República Rodrigo Janot

A prisão foi solicitada ao ministro Edson Fachin, relator das investigações da J&F, na última sexta-feira (8), após o procurador-geral concluir que os colaboradores esconderam do Ministério Público fatos criminosos que deveriam ter sido contados nos depoimentos. Fachin teria negado estender a medida ao ex-procurador Marcelo Miller.

O STF ainda não se manifestou oficialmente. Com isso, eles perdem, momentaneamente, a imunidade penal que tinham conquistado na colaboração firmada com a PGR (Procuradoria-Geral da República).

" 'O Janot sabe tudo". Esse é o entendimento de, pelo menos, três ministros do Supremo: a rescisão do acordo não anula as provas. Para ele, são "múltiplos" os indícios confessados pelos dois de que integram uma organização criminosa voltada para a prática sistemática de crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro, motivo que justifica a prisão temporária. A determinação da prisão, no entanto, não significa que os delatores serão presos pela Polícia Federal nesta manhã.

Pedido de prisão vem depois de Joesley Batista ter sido ouvido pela PGR
Pedido de prisão vem depois de Joesley Batista ter sido ouvido pela PGR

Para Janot, a atuação de Miller não foi neutra. Em conversa entregue pela própria defesa da JBS, Saud e Joesley conversam sobre a suposta interferência de Miller para ajudar nas tratativas de delação premiada.

Os delatores do grupo J&F Joesley Batista e Ricardo Saud chegaram à sede da PF em São Paulo na tarde deste domingo (10). Aos procuradores, eles atribuíram comentários feitos durante o áudio de quatro horas gravado em 17 de março a "conversa de bêbados". A defesa dos delatore já foi notificada sobre o pedido de prisão. Requeriram, ainda, a cópia do pedido de prisão e outras peças a fim de se manifestarem previamente. Os advogados informam que os delatores deixam os passaportes à disposição da Justiça e que estão disponíveis a prestar qualquer esclarecimento necessário. "Percebe-se pelos elementos de convicção trazidos aos autos que a omissão por parte dos colaboradores quando da celebração do acordo, diz respeito ao, em princípio, ilegal aconselhamento que vinham recebendo do então Procurador da República Marcello Miller".