Para PF, há indícios de organização criminosa formada por Temer e peemedebistas

Temer faz discurso no Palácio do Planalto 2/8/2017  REUTERS  Adriano Machado

Temer faz discurso no Palácio do Planalto 2/8/2017 REUTERS Adriano Machado

No relatório final do inquérito que investigou o "quadrilhão" do PMDB na Câmara, também constam evidências de envolvimento do ex-ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e dos ex-presidentes da Câmara Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha no suposto esquema.

"Integrantes da cúpula do partido, supostamente, mantinham estrutura organizacional com o objetivo de obter, direta e indiretamente, vantagens indevidas em órgãos da administração pública direta e indireta".

"Os elementos analisados nos autos demonstram que o presidente Michel Temer possui poder de decisão nas ações do grupo do 'PMDB da Câmara', tanto para indicações em cargos estratégicos quanto na articulação com empresários beneficiados nos esquemas, para recebimento de valores, sob justificativa de doações eleitorais", diz a PF. "Por fim, há que se considerar as doações oficias e em 'caixa 2' realizadas em favor da campanha do seu também apadrinhado político, Paulo Skaf, para Governador do Estado de São Paulo nas eleições de 2014".

Em nota, o presidente Michel Temer afirmou que não participou e nem participa de nenhuma quadrilha e que tampouco fez parte de qualquer "estrutura com o objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagens indevidas em órgãos da administração pública". Para os investigadores, enquanto Cunha desenvolvia a parte obscura das negociações, Temer tinha como função oficializar os atos praticados pelo ex-deputado atualmente preso em Curitiba.

O texto ainda afirma que as acusações são "insinuações descabidas", vazadas para "tentar denegrir a honra e a imagem pública" do presidente antes mesmo de serem apreciadas pela Justiça.

Policia Federal concluiu nesta segunda-feira (11) o inquérito que apura se integrantes do PMDB da Câmara formaram uma organização criminosa para desviar recursos de órgãos públicos.

"O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, informa que só irá se pronunciar quando e se houver acusação formal contra ele que mereça resposta", diz a nota, assinada pela Assessoria de Comunicação da Casa Civil.

A investigação chega a indícios de que o presidente Michel Temer e os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e Eliseu Padilha (Casa Civil) cometeram crime de corrupção. A denúncia já é esperada, porque recentemente Rodrigo Janot denunciou membros do PT, do PP e do PMDB no senado.

Moreira Franco respondeu afirmando que "jamais" participou de qualquer grupo para a prática do ilícito.

Estão ainda na lista de investigados o ex-ministro Geddel Vieira Lima, preso novamente na semana passada no âmbito da operação Cui Bono, depois que 51 milhões atribuídos a ele foram encontrados em um apartamento em Salvador. Repudio a suspeita. Responderei de forma conclusiva quando tiver acesso ao relatório do inquérito. "Isto não é democrático", afirmou.