CPMI da JBS encerra reunião sem votar requerimentos para convocar delatores

Deputado federal Carlos Marun pode ser o escolhido para relator da CPMI da JBS

Deputado federal Carlos Marun pode ser o escolhido para relator da CPMI da JBS

Ferraço faz parte do grupo que defendia o desembarque do PSDB do governo de Michel Temer. Temer é o principal acusado nas delações da JBS.

Marun disse a jornalistas em Brasília que recebeu do presidente da comissão, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), o convite para relatar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e aceitou. O deputado Carlos Marun pediu mais tempo para apresentar um plano de trabalho. O senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) pediu para deixar a CPMI. A razão deste cuidado estaria no fato de que as últimas CPIs que investigaram o envolvimento de empresas em casos de corrupção, como a do Carf e da Petrobras, acabaram registrando pressões e achaques oriundos de parlamentares. "Esta comissão não pode ser ajuste de contas. Vai deformar o sentido da investigação", afirmou logo após saber da escolha da relatoria. "Não queremos que esta CPMI seja transformada em quartel general de blindagem de Temer e para fustigar adversários políticos de dentro e fora do Parlamento", disse. O trecho foi incluído na lei há apenas nove meses, e foi proposto em 1996 pelo senador mato-grossense Júlio Campos, do antigo PFL, hoje DEM. A tramitação, que levou 20 anos, já teve como relator o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba, que se manifestou favorável à proposta.

Por ser a maior bancada do Senado, o PMDB tem direito a dez cadeiras na comissão: sendo cinco titulares e outros cinco suplentes.

O deputado disse ainda que a CPMI deve ouvir o ex-procurador Marcello Miller, suspeito de participar das negociações da delação com a JBS enquanto ainda estava na PGR, e o procurador Angelo Goulart Villela, preso sob a acusação de repassar informações privilegiadas à empresa. "Temos que olhar para o que já foi feito até aqui". Este é um dos focos dos trabalhos, conforme informou o relator da Comissão, o deputado federal Carlos Marun (PMDB/MS).

Para tentar diminuir a influência do peemedebista na relatoria, Ataídes Oliveira nomeou dois sub-relatores.

Senadores como Ronaldo Caiado (DEM-GO), vice-presidente da CPMI, não escondem seu descontentamento. Outro escolhido foi o depurado Hugo Leal do PSB.

Já Fernando Francischini (SD-PR) foi indicado para preparar um relatório referente a contratos, empréstimos e ao acordo de colaboração.