Juncker falha na geografia e esquece-se de Portugal

Presidente da Comissão Europeia quer aproveitar o momento para estimular a UE

Presidente da Comissão Europeia quer aproveitar o momento para estimular a UE

"Não se iludam, a Europa estende-se de Vigo a Varna".

O presidente da Comissão Europeia propôs hoje, durante o seu discurso sobre o Estado da União, a criação de uma agência europeia de cibersegurança, argumentando que os ataques informáticos podem ser "mais perigosos do que armas e tanques".

O presidente da Comissão Europeia defendeu a celebração de uma "cimeira especial" a 30 de março de 2019, no primeiro dia "pós-Brexit", que assinale o nascimento de uma nova União Europeia a 27 mais unida, forte e democrática.

O erro ou esquecimento não passou despercebido aos eurodeputados, em especial aos portugueses, Marisa Matias chegou mesmo a publicar um post no qual perguntava se Juncker já estaria assumir que Portugal estaria fora da União Europeia. Juncker pretende que os 27 países (após a saída do Reino Unido) usem o euro como moeda.

A Europa deve ser uma União de igualdade.

"Será o momento de nos reunirmos para tomar as decisões necessárias à construção de uma Europa mais unida, mais forte, mais democrática", disse.

Juncker considerou ainda que "é mais que altura" de a Roménia e a Bulgária se juntarem também ao espaço Schengen, e, em breve, a Croácia, assim que este país cumprir todos os critérios.

O comissário Carlos Moedas considera que se tratou de um discurso positivo, que aponta pistas para a Europa do futuro, destacando a ideia defendida por Jean-Claude Juncker em relação à presidência do Eurogrupo, mas também em relação ao curto prazo, com a defesa de acordos comerciais que sejam justos para os europeus. "Aproveitemos por isso ao máximo o bom momento, e o vento nas nossas velas", disse.

Jean-Claude Juncker lembrou que qualquer negociação com países candidatos assenta, acima de tudo, no "Estado de Direito, justiça e valores fundamentais", o que, argumentou, "afasta a Turquia" da adesão. "Continuamos a ter 40 milhões de pobres na UE e nem uma referência" no discurso de Juncker, lamentou.

A título de exemplo, apontou que "o lugar dos jornalistas é nas redações, não nas prisões", apelando por isso às autoridades turcas que libertem os jornalistas detidos, "e não apenas os europeus". "A Europa é um continente de democracias maduras", advertiu.